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Médica agredida no Grajaú pode não conseguir recuperar movimentos de joelho quebrado


A médica Ticyana D’Azambuja, agredida no último dia 30 de maio pelos frequentadores de uma festa no Grajaú, na Zona Norte do Rio, não sabe se conseguirá recuperar os movimentos do joelho esquerdo, que foi quebrado pelos agressores. Um mês após o episódio, em entrevista ao EXTRA, a anestesista relatou que o problema no joelho ainda a impede de trabalhar. Ticyana atuava na linha de frente no combate ao coronavírus e também teve as mãos pisoteadas.



No dia 13 de junho, Ticyana passou por uma cirurgia na qual colocou dois parafusos no joelho. Ela explica que seu médico aguarda que seus ossos se consolidem para que possa ser liberada para iniciar a fisioterapia.



- Na última quinta-feira (dia 25), tirei o gesso. Meu médico esperava que em uma semana eu conseguisse dobrar o joelho pelo menos 90 graus. Estou dobrando, no máximo, 15 graus e sinto muita dor. O médico está bastante reticente e me alerta que pode ser que os movimentos não voltem por completo. Cada caso é um caso - explica Tyciana.


As agressões contra Ticyana estão sendo investigadas pela 20ª DP (Vila Isabel). Nesta sexta-feira, a médica passará por um novo exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal no Centro do Rio. Os peritos vão analisar a gravidade da lesão sofrida pela médica. O delegado titular da 20ª DP, André Neves, aguarda o resultado desse laudo para concluir o inquérito. Todas as testemunhas já foram ouvidas e provas, produzidas.



O laudo será importante para que o delegado possa definir por qual crime os agressores serão indiciados. O Código Penal prevê quatro tipos de lesão corporal - leve, grave, gravíssima e a seguida de morte. O caso de Ticyana poderá se encaixar em uma das três primeiras. A diferença na caracterização de cada uma delas está nas consequências das agressões para a vítima. Um dos requisitos para a lesão corporal grave, por exemplo, é a incapacidade da vítima para as ocupações habituais por mais de 30 dias.



Ticyana está sem trabalhar desde o episódio. Ela conta que apesar de ter recuperado os movimentos da mão direita, sua locomoção ainda é limitada em razão da lesão no joelho. Fora de casa, ela precisa do auxílio de um andador.



- A mão direita ainda dói, mas os movimentos voltaram. Eu achei que a recuperação do joelho seria mais rápida, mas não está sendo. Precisarei ter mais paciência. Vou fazer o possível. Mas é exatamente o que eu falo para os meus pacientes: esperem o melhor, mas se preparem para o pior - afirma a médica.


A anestesista, que inicialmente tinha decidido se mudar do Grajaú, acabou voltando atrás. Ela relata que o acolhimento dos moradores do bairro após o episódio e a necessidade de manter a rotina de seu filho, de 2 anos e 10 meses, pesaram na decisão. A médica relata que desde que as agressões sofridas por ela se tornaram públicas, as festas na casa na Rua Marechal Jofre pararam.



- A única coisa que me incomodava aqui era o barulho das festas na casa, que não existe mais. A casa está sempre fechada agora. A comunidade do Grajaú acabou me abraçando. As pessoas me abordam na rua. Houve uma senhora que escreveu pra mim agradecendo e dizendo que reza por mim todos os dias, pois agora ela consegue dormir - conta.


Tyciana foi agredida na tarde do dia 30 de maio por frequentadores de uma festa que ocorria em uma casa na Rua Marechal Jofre. A médica relatou que foi até a residência, que fica em frente ao seu prédio, pedir o fim da festa devido ao barulho excessivo, mas não foi atendida. Então, num “ato impensado”, quebrou o retrovisor e trincou o para-brisa de um carro que estava estacionado sobre a calçada e pertencia a um policial militar que estava na festa. Depois disso, algumas pessoas saíram da casa, entre elas um PM, e as agressões tiveram início. Ticyana teve o joelho esquerdo quebrado e as mãos pisoteadas. Imagens de câmeras de segurança, além de uma gravação feita por vizinhos da médica mostraram as agressões sofridas.




Fonte: Jornal ExtraOnline

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