• Ricardo Caetano

Historiadores questionam projeto de lei que altera o nome do Maracanã para Estádio Rei Pelé

Tombamento federal abre caminho para recursos na Justiça mesmo se projeto for aprovado pelo governador.



Historiadores ouvidos pelo RJTV questionaram o projeto de lei aprovado pela Alerj que muda o nome do Maracanã de Estádio Mário Filho para Estádio Rei Pelé.



A historiadora e ex-presidente do Iphan Kátia Bogéa diz que o Maracanã é patrimônio nacional, tombado por lei federal, o que abre caminho para questionamentos na Justiça ao projeto, mesmo após a assinatura do governador Cláudio Castro.



“O Maracanã faz parte da história brasileira, é um marco histórico e o nome também, faz parte do tombamento, não pode ser modificado por uma legislação estadual, abaixo de uma lei federal”, diz


“A fachada não pode ser alterada nem o nome. O que foi tomado é o estádio Mario Filho. É o templo do futebol”, acrescenta.



Outro historiador, Luiz Antônio Simas lembra que já existem outras homenagens para Pelé e a importância de Mário Filho para a própria existência do Maracanã.



“Queriam colocar [o estádio] na Ilha do Governador, queriam colocar sob pilotis na Lagoa, o estádio na Baixada de Jacarepaguá, e ele lutou para ficar ali, as margens do Maracanã, ponto central, acesso fácil, perto da linha do trem, o suburbano, a Zona Sul, o asfalto e morro... O sonho dele era integrar a cidade”, lembra.



“Pele é uma figura inquestionável, merece todas as homenagens em vida. Mas ao mesmo tempo tem tanta coisa pra fazer pro Pelé... O Mário Filho está na memória do estádio que já passou por golpes com demolição da geral, perdendo perfil popular, tirar do estádio, eu acho que é um crime contra a memória do Rio, memoria da história do futebol no Rio e no Brasil e mais do que isso: se Pelé pode ser homenageado, não há lugar mais efetivo do que Mario Filho do que o estádio o que ele lutou tanto para ver erguido”, afirma Simas.


“Em termos de Maracanã, o Mário filho foi muito mais importante, mas muito mais importante que o Pelé”, diz Mário Filho Neto. "Essa é a assembleia do Rio de Janeiro. Quero dar os parabéns ao doutor André Ceciliano [deputado autor do projeto], porque com essa resolução maluca ele acabou de resolver todos os problemas de segurança, violência, falta de hospital e tudo mais no Rio de Janeiro.



O projeto


O projeto é de autoria do presidente da Alerj, André Ceciliano, do PT, e mais seis deputados:


  • Bebeto, do Podemos,

  • Márcio Pacheco, do PSC,

  • Eurico Junior, do PV,

  • Carlos Minc, do PSB (disse que seu nome apareceu na autoria do projeto por engano e o retirou)

  • Coronel Salema, do PSD,

  • e Alexandre Knoploch, do PSL.

Na justificativa, os deputados alegam que "a utilização de nomes de pessoas vivas nos bens pertencentes ao patrimônio público tem sido uma preocupação da sociedade para zelar pelo que é de todos e impedir a privatização do patrimônio público." e que o Maracanã foi palco de grandes momentos do futebol brasil e mundial, como o milésimo gol de Pelé.



Os deputados terminam dizendo, na justificativa, que, sendo assim, é mais do que justa homenagem a uma pessoa reconhecida mundialmente pelo seu legado no futebol brasileiro e pela prestação de relevantes serviços no país.



O projeto foi aprovado por quase todas as bancadas da Alerj. A do Psol vetou o texto.



Agora, o governador em exercício, Cláudio Castro, tem até 15 dias para sancionar ou vetar o projeto.



“Nós vamos ter no estádio um espaço Rei Pelé, pra que a gente possa atrair turista para o estado do Rio de Janeiro. Nós vamos manter o nome Mário Filho em todo o complexo esportivo ali no local”, argumenta André Ceciliano (PT).


Quem foi Mário Filho


O jornalista, que era irmão do escritor Nelson Rodrigues, foi dono do Jornal dos Sports e o maior defensor da construção do Maracanã no bairro do Maracanã.



Sua ideia de um estádio nacional na região venceu outros projetos como a ampliação do Estádio de São Januário e a construção em outros bairros.



Mário Filho também foi o idealizador do formato de competição no desfile das escolas de samba, entre outras iniciativas que se incorporaram à história da cidade.



Fonte: G1.com

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