
O Rio Comprido é um bairro da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. O seu nome decorre do rio central que o percorre, hoje canalizado e completamente degradado, que desagua na baÃa da Guanabara.
No século XVII neste vale fluvial era plantada a cana-de-açúcar, e o açúcar produzido, escoado por um trapiche em embarcações que o conduziam até à baÃa e ao porto do Rio de Janeiro.
De acordo com o historiador Noronha Santos, pode-se fixar como marco no desenvolvimento da região correspondente aos atuais bairros da Cidade Nova, do Catumbi e do Rio Comprido, o Alvará-Régio de 26 de Abril de 1811, que concedeu a isenção da décima urbana aos prédios assobradados ou de sobrado, que se construissem nas novas ruas abertas, desde o princÃpio do século.
O Rio Comprido era, então, uma área ocupada por chácaras de pessoas abastadas, entre as quais ingleses(a “Chácara dos Inglesesâ€). Outra propriedade importante era a do bispo Frei Antônio do Desterro, de onde as denominações “Largo do Bispo†(atual Praça Condessa Paulo de Frontin) e Rua do Bispo. Nessa propriedade passaria a funcionar, desde 1891, o Seminário São José, transferido da Rua da Ajuda, no sopé do morro do Castelo.
O principal logradouro do bairro era a Avenida Rio Comprido (atual Av. Paulo de Frontin), com uma extensão de 1.600 metros, aberta em 1919, na gestão do Prefeito Paulo de Frontin à época do governo do presidente Delfim Moreira.
Esse bairro elegante, de moradias (casas) de alto nÃvel, abrigava dois clubes que aumentavam o lazer dos moradores, o Clube Desportivo do Rio de Janeiro (atual Clube Alemão) e o Clube Ibéria, já extinto. Outro ponto de entretenimento era o “Campinho do Raul†onde eram realizadas as “peladas†da Velha Guarda. Na década de 1960, destacou-se o chamado Ponte’s Clube, em frente à Alameda Leontina Machado (ligação entre a Av. Paulo de Frontin e a Rua Santa Alexandrina e ocupada sómente por componentes da “familia Machadoâ€), mais tarde substituÃdo pela Turma da Ponte que se reunia todas as noites na ponte em frente ao Clube Ibéria. Na época das festas juninas o esqueleto de prédio inacabado, atual Chácara Paulo de Frontin, servia para lançamento de balões de grande porte. Posteriormente a base da turma passou a ser a casa dos “Giglios†e dos “Paranhosâ€.
Ainda nessa época, o bairro era servido por uma linha de bondes, cujo ponto final se localizava na parte alta da Rua Santa Alexandrina, e por uma linha de ônibus, a 616 rio (Rio Comprido -Usina) , ambas desaparecidas. Foi uma época maravilhosa. Entretanto, com a abertura do Túnel Rebouças (1967) e a construção do Elevado Paulo de Frontin, a Av. Paulo de Frontin transformou-se numa passagem entre as zonas norte e sul da cidade e os moradores , em sua maioria, mudaram-se, registrando-se uma acentuada queda no Ãndice de qualidade de vida do bairro, atualmente cercado por favelas como o Turano, o Fogueteiro, o Querosene e o Complexo Paula Ramos, marcadas pela violência e pela exclusão social.
No bairro encontra-se o Campus Rebouças da Universidade Estácio de Sá (o maior e principal da universidade).
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