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Na tradicional sede do América, na Tijuca, funciona um bingo ilegal

Publicada em 22/12/2008

Rebaixado para a segunda divisão do futebol carioca, o lendário América Football Club encontrou um meio ilícito de melhorar sua arrecadação. Uma equipe de reportagem do JB flagrou um binco clandestino funcionando na sede social do clube tijucano, que soma mais de 100 anos de história. Como esse, há pelo menos mais 10 bingos citados por clientes de casas que se espalham pela cidade com toda a infra-estrutura e o conhecimento da vizinhança – a exceção, claro, são os policiais da região, que, no caso do América, mantêm um carro azul e branco ao lado da sede.

O bingo está fazendo o América respirar – comentou um dos recepcionistas do clube diante da câmera escondida do leitor Pedro Gomes, apoiado pela equipe de reportagem do JB. – O elevador estava há mais de 20 anos quebrado e só voltou a funcionar por causa do bingo. Hoje, parou de novo, porque o maquinário é antigo, mas podem entrar, fica no quarto andar, é tranqüilo. Há quatro meses, abrimos das 13h às 2h.

O Tribunal de Justiça do Rio e a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado não têm conhecimento de liminares autorizando o funcionamento de bingos, como argumenta a Associação Brasileira de Bingos (Abrabin), sem, no entanto, informar quais casas estariam autorizadas. Sem saber que falava com o JB por telefone, um dos recepcionistas mostrou-se mais arredio ao comentar o assunto.

Não sei nada sobre isso, não – afirmou, para, em seguida, dizer que sabe apenas que funciona até 1h e questionar a ilegalidade no jogo. – Tudo depende do que você considera proibido.

Na quarta-feira, quando o JB esteve no local, apenas uma rodada – que não dura mais do que cinco minutos – registrou 537 apostas de R$ 1. Cerca de 100 pessoas estavam no salão repleto de cadeiras com a inscrição Bingo Tijuca, estabelecimento fechado há cinco anos, após a Lei 230/03. Os clientes acompanham o sorteio por dois telões ou num dos mais de 10 televisores – um deles de plasma. Além de R$ 100 de prêmio, há dias especiais com feijoadas e até sorteios de carros e motos.

Hoje, existem muitas casas como esta. São todos bingos, porque máquinas não existem mais, infelizmente – comentou uma apostadora, listando locais como o Esporte Clube Maxwell, também na Tijuca, Espaço Marquês, em Ipanema, e Clube Matoso, em Copacabana. Há ainda outros em funcionamento pela Zona Norte, em São Gonçalo (Clube Tamoio) e Niterói (Canto do Rio).

O América fica a 200 metros da Praça Afonso Pena, mas é ao lado da clube, na Rua Gonçalves Crespo, que o 6º BPM (Tijuca) mantém um veículo – que ignora o vaivém de pessoas, muitas delas idosas, até altas horas no clube.

Além de bingos, as máquinas caça-níqueis também vêm se espalhando – e em locais mais discretos do que aquelas comumente vistas em bares e padarias. Botafogo é uma das regiões mais disputadas pelas máfias – e nas ruas mais movimentadas do bairro.

Um deles está na Rua General Polidoro, 298A. O local fica no térreo de uma residência e, por isso, é repleto de cartazes avisando para evitar-se o barulho para não incomodar os vizinhos. Lá, há cerca de 40 máquinas caça-níqueis. Na terça-feira, havia cerca de 30 pessoas na casa – uma delas comemorando aniversário. No fim de semana, um dos apostadores chegou a perder R$ 5 mil. Não à toa, os donos do local fazem de tudo para manter a clientela: sexta-feira, às 21h, é servida lasanha; domingo e segunda, às 13h, os atrativos são petiscos e sorteios especiais de R$ 100 e R$ 200.

Na Rua Pepe, 34, há outra casa com cerca de 50 máquinas. Numa pequena porta na Rua da Passagem, número 90, há mais 15 caça-níqueis conhecidos por toda a vizinhança – com exceção, é claro, das desinformadas autoridades policiais da área.

Fonte: JB OnLine

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