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Nomes de rua na Tijuca: uma pesquisa às vezes diferente.

Durante os três anos em que pesquisei o conteúdo a ser incluído no livro Tijuca de Rua em Rua, não tinha ainda uma idéia clara do que iria escrever. De início, pensei apenas em contar a história do Engenho Velho e do cultivo do café, além de discorrer sobre os pontos turísticos da região. Com o tempo, fiquei fascinada com tanta informação. Como o título anuncia, a obra se transformou num sumário histórico dos bairros da Praça da Bandeira, Tijuca e Alto da Boa Vista, com destaque para os homenageados com nome de rua. Visitei, assim, um cenário composto por antigos moradores e por personagens ilustres do Brasil Colonial, Imperial e Republicano. Presidentes, políticos, militares e heróis de guerra, médicos, advogados, escritores, artistas, professores, engenheiros, sacerdotes, santos e santas católicas. Nomes indígenas, denominações de cidades e menções a personalidades estrangeiras: ingleses, argentinos, chilenos, poloneses e norte americanos.

Meu trabalho tratou com maior ênfase as personalidades ligadas à Tijuca. Busquei informações nos arquivos, bibliotecas e na prefeitura. No entanto, tive a sensação de estar confinada, muito presa à documentação escrita. Com isso, fui à luta atrás dos descendentes dos homenageados com nome de rua. Entrei em contato com Colégio Brasileiro de Genealogia, instituição fundamental para esse tipo de pesquisa, que não somente dá suporte à preservação da memória, mas funciona como ponto de encontro de estudiosos. Lá descobri muito do que precisava sobre grandes vultos do Império e da República. Além disso, procurei na internet por sites confiáveis e institucionais.

Todavia, o grande diferencial no meu esforço exploratório foi a criatividade empregada no trabalho de campo. Como exemplo, posso citar Dona Maria, de 97 anos, que me desvendou o mistério da Travessa Alice Maia, situada nas proximidades do Tijuca Tênis Clube, sobre a qual não encontrei nos arquivos informação alguma. Segundo o relato da simpática moradora, Dona Alice Maia era grande amiga dos seus pais e esposa de Joaquim Leal Maia, proprietário de terras na Tijuca, em cuja chácara muitas ruas foram abertas como resultado de seu desmembramento. Pude confirmar tal informação preciosa no Colégio Brasileiro de Genealogia, em documento relativo ao casamento de Joaquim Pereira Leal Maia com Alice Pereira da Silva, registrado no Engenho Velho, no dia 7 de julho de 1894.

Prometo divulgar aqui na coluna outras experiências que vivi no decorrer da confecção do meu livro. Com ele, aprendi que a tradição oral é um elo insubstituível para o pleno conhecimento de nossa história e que, tal como as bibliotecas, o convívio fraterno tem muito a ensinar sobre passado, presente e futuro.

Saudações tijucanas.

Lili Rose


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