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Bate-Papo com o Subprefeito

Na semana passada, atendendo a um pedido que fiz por e-mail, o subprefeito da Grande Tijuca, Luiz Gustavo Martins Trotta, trocou comigo uma dúzia de mensagens através das quais podemos conversar, se entendermos a possibilidade de uma conversa virtual nesse mundo cada vez mais voltado para as facilidades cibernéticas! E quando eu digo subprefeito da “Grande Tijuca” logo me lembro do grupo que se vale desse mesmo nome – “Grande Tijuca” – para, sob o manto de uma suposta cooperação com o poder público, denunciar, denunciar, denunciar e denunciar. Eles, membros desse grupo (que é perigosíssimo, e deixo as razões que me levam a essa conclusão para uma outra oportunidade), são adeptos da filosofia “quem paga é quem manda” e também por conta disso, desse receio que tenho de que essa filosofia norteie as ações da subprefeitura (pressionada por esse mesmo grupo), foi que procurei o Luiz Gustavo, a quem não conheço pessoalmente – faço questão da ressalva.

 

A conversa foi ótima e, ao menos no que diz respeito ao que dela emergiu, bastante esclarecedora. Quero aqui, hoje, quando lhes escrevo pela segunda vez, e sempre às terças-feiras e sempre que me for possível, dividir com vocês as impressões que me ficaram depois do bate-papo.

 

Tenho que uma das maiores dificuldades enfrentadas por qualquer homem que lide com a coisa pública seja a de atender aos anseios de toda a população, levando-se em conta, evidentemente, as diferenças sociais, econômicas, culturais, ideológicas e mesmo as que dizem respeito aos anseios de vida e de coletividade.

 

Luiz Gustavo confirmou que é mesmo um de seus maiores desafios lidar com isso, mas acredita na sua capacidade de fazê-lo por conta de sua larga experiência profissional, em empresas privadas ou públicas.

 

O subprefeito, confirmando algo que há muito eu digo, disse ver um certo exagero na grita de muita gente que alega que a Tijuca é um bairro “abandonado”. Disse-me ele:

 

“Penso, sim, que o termo usado, abandono, por parte das pessoas que me procuram para fazer suas reivindicações, possa ser exagerado já que a Grande Tijuca foi atendida durante todos esses anos por uma estrutura de bairro grande que outros bairros não tiveram, como por exemplo o Méier.”

 

Quando comentei com ele sobre uma recente barbaridade publicada no blog mantido pelo grupo a que me referi no início deste texto – “Favelas são a tragédia da sociedade” –, Luiz Gustavo engrossou o tom, o que achei fabuloso. Disse ele:

 

“A história recente já mostrou o quanto são perigosas, desumanas e intolerantes essas manifestações. Ou alguém já esqueceu do sofrimento e da saga do povo judeu, dos escravos? Eles também eram tratados como a tragédia da sociedade. Gostaria de perguntar a essas pessoas que pensam assim: De que sociedade estão falando?”

 

Quis saber sobre a quantidade enorme de denúncias envolvendo os bares e botequins da Grande Tijuca, mais que fundamentais na construção da identidade do bairro e muito prejudicados pela intolerância de gente que não admite a informalidade que é parte integrante do negócio. E ele foi, mais uma vez, firme.

 

Disse que o problema maior desses bares e botequins são os abusos excessivos cometidos por uma parcela dos comerciantes, o que não será tolerado. Disse, entretanto, para minha satisfação, que crê que se esteja chegando a um consenso no que diz respeito a esses abusos, sem ceder à intolerância que pede, praticamente, o fechamento de bares e botequins fundamentais para a identidade do bairro da Tijuca. Disse, mais, que o Secretário Rodrigo Bethlem esteve semana passada na Tijuca, em uma operação que durou uma semana inteira, tendo ficado surpreso com o nível de ordem que o bairro ostenta, embora uma pequena parcela de cidadãos do bairro queiram mais e mais choques de ordem, pretendo transformar a Tijuca num estéril e detestável shopping a céu aberto.

 

Com relação à população de rua, disse o subprefeito:

 

“Creio que o maior desafio não só para a administração pública mas para a sociedade como um todo é a questão da população de rua e a garantia de condições de vida mais dignas para as camadas menos favorecidas. Nosso principal objetivo é trazer a auto estima do tijucano de volta, mostrar a eles que é possível viver em um lugar melhor, com ordem e respeito, tendo na subprefeitura um meio para que isso se torne realidade.”

 

Ele ainda fez questão de ressaltar conquistas recentes na área social, comandada por Fernando William, que já inaugurou três centros de primeiro mundo para a recuperação de viciados em crack. Eles vêm trabalhando, ainda, em um projeto de recuperação da identidade das pessoas que vivem nas ruas, com foco na inauguração de centro de convivência com profissionais capacitados para atender às necessidades básicas dessa parcela da população.

 

Foi, como vocês podem perceber, um bate-papo rápido. Fiquei, entretanto, bem impressionado. Não apenas com a disponibilidade do subprefeito mas com a direção que a prosa tomou. Torço, daqui, para que não seja e não tenha sido apenas discurso, eis que estamos todos, brasileiros de um modo geral, cansados dessa conversa fácil de grande parte de nossos representantes. Daqui, desse espaço, vou manter olhos abertos, visão alargada e uma tremenda torcida para que tenhamos uma Tijuca cada vez melhor.

 

Um abraço a todos, do tamanho da Tijuca!

 

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