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O Metro e a Tijuca

Próxima estação…

 

Nas últimas eleições havia uma candidata a vereadora que tinha como principal proposta criar o túnel rodoviário ligando a Tijuca, na Rua Uruguai à Gávea. Esse é um projeto antigo que foi engavetado há anos atrás, principalmente porque os tijucanos não queriam o túnel, que desvalorizaria a região da Uruguai. Recentemente, muitos foram contra e alguns a favor, já  que traria uma nova via de acesso à Zona Sul. Mesmo assim, ela teve algo entorno de 100 votos. Provavelmente nem os que queriam chegar mais rápido ao baixo Gávea e ou à PUC votaram nela.

 

Com a criação da ligação direta da Pavuna – Botafogo, através da gambiarra da linha 1-A, o metrô tentava resolver o problema do gargalo nas estações Estácio e Central e recuperar parte dos passageiros da Tijuca. Foi um tiro no pé, já que o metrô piorou seu serviços para os moradores do bairro com um intervalo muito maior entre um trem e outro no trecho da linha 1 que não cruza com a linha 1-A (assim como em Copacabana ou Ipanema). Quase ninguém reclamou e o projeto original de ligar a linha 2 até a Carioca, passando pela Praça da Cruz Vermelha foi esquecido. Além disso, para prorrogar a concessão do metrô até 2038 também foi incluída a criação da estação Cidade Nova e da estação Uruguai. Essa estação será inaugurada somente em 2014,
mesmo com quase todo trecho já perfurado. As obras só começariam em 2012!

Enquanto isso, um abaixo-assinado de moradores de Botafogo conseguiu movimentar o interesse público em torno da estação Rio Sul, entre Botafogo e Cardeal Arco Verde. O presidente da concessionária chegou a sugerir fazer a estação antes da Uruguai. Falta esse tipo de mobilização entre os moradores da Tijuca e arredores, mais importante do que fiscalizar buracos no asfalto ou vazamentos de água é pensar e propor ações que possam efetivamente trazer melhorias para o bairro. Transporte público bom é um dos principais pontos para a melhoria da qualidade de vida em uma cidade.

 

 

 

Outra obra que irá afetar a vida do tijucano é essa extensão (infinita) da linha 1 do metrô. Para atender a demanda crescente da Barra da Tijuca, o governo anunciou o início das obras do metrô. Ao invés de executar o projeto original criando a linha 4 (saindo da Barra, passando por São Conrado, Gávea, Jardim Botânico, Humaitá, Laranjeiras e Carioca, ou mesmo só chegando até Botafogo vindo do Humaitá) optaram por uma nova gambiarra, esticando a linha 1, que segue por Ipanema, Leblon e Gávea até a Barra. É exatamente isso: ao invés de criar uma linha que atenda aos trechos mais engarrafados da Zona Sul eles preferem superlotar ainda mais a linha 1 com toda a demanda da Barra. Além disso, anunciam mais uma extensão no sentido Zona Norte da
linha 1, seguindo depois da Uruguai para Andaraí, Vila Isabel, Grajaú, Engenho Novo e Méier (que poderia seguir para a Praça Seca em Jacarepaguá).

Ou seja, a linha 1 que já sofre com superlotação não só pela demanda da Central e da linha 2 sofrerá mais duas extensões que tornará incrivelmente longa a viagem de uma ponta à outra da mesma linha ao invés de dividir em várias linhas que se cruzem como seria mais racional. Tudo isso porque a concessionária teria direito de explorar a linha 1 e a linha 2 do metrô (aumentá-las em um sistema irracional é um negócio muito mais lucrativo).

 

 

 

Não é só nisso que a Tijuca (e também toda a região metropolitana sai perdendo). Com todos esses projetos apresentados pela própria concessionária, a proposta original de fechar o anel metroviário da linha 1 torna-se inviável. O anel ligaria a futura estação Uruguai à Gávea tornando muito mais fácil a ligação Zona Sul-Zona Norte, evitando o congestionamento da região do Centro para quem quer ir de uma parte à outra. Além disso, chegar à Gávea pela estação Uruguai é uma alternativa ao traçado pela Zona Sul. O trecho até a Gávea já havia sido definido (afinal ele é parte do
projeto da linha 4) e começou a ser construído. Seguir pelo maciço da Tijuca pode ser mais rápido que continuar pela Zona Sul, já que ele não precisa escavar terreno arenoso, desviar de áreas construídas e nem fazer estações no meio do caminho (pela Zona Sul teríamos pelo menos Nossa Senhora da Paz, Jardim de Alá e Antero de Quental). Além disso, seria uma opção enquanto o restante da linha 4, seguindo pelo Jardim Botânico e Humaitá não estivesse pronto. Dessa forma, o passageiro que viesse da Barra poderia seguir para o Centro pela Zona Sul, saltando na Gávea e indo em direção ao Leblon ou pela Zona Norte, saltando na Gávea e indo em direção à Tijuca, evitando a superlotação no trecho da Zona Sul.

 

E quanto ao trecho de extensão da linha 1 na Zona Norte? Muita gente diz que não é boa idéia atravessar o maciço da Tijuca só para ligar duas estações (mesmo que seja para fechar o anel metroviário, para ligar mais facilmente duas regiões da cidade, ou para diminuir o impacto da demanda da Barra no metrô). Ele pode ser aproveitado para passar uma segunda linha (como a linha 1-A, só que mais bem feita e projetada para isso, já com duas linhas). Essa segunda linha pode vir da Gávea (ou mesmo da Lagoa e passar pela Gávea) seguir até a Uruguai, Andaraí, Vila Isabel, Grajaú, Engenho Novo, Méier, Engenho de Dentro (no Engenhão), Cachambi (Norte Shopping), Del Castilho (Shopping Nova América, cruzando com a linha 2), Bonsucesso e seguindo até o Fundão, Aeroporto Tom Jobim e Ilha do Governador. Essa linha liga diferentes pontos que precisam ser desenvolvidos na Zona Norte (como Grande Tijuca, Grande Méier e Ilha do Governador), liga a Zona Sul à Zona Norte e passa por pontos importantes da cidade como Engenhão, UFRJ e aeroporto internacional.

 

Além disso, ela cruzaria em dois pontos com a linha 1, em um com a linha 2 e em um com a linha 4 (ainda poderia cruzar com a linha 5, se ela ligasse um aeroporto ao outro passando pela Zona Portuária). Isso sim seria um sistema inteligente. Mesmo assim, o túnel ainda poderia ser perfurado pensando em uma possível construção rodoviária, caso esse projeto ainda fosse uma demanda real.

 

Deveríamos pensar em mais sistemas que realmente ligassem pontos que são de difícil acesso pela rota rodoviária, ligando regiões distantes. Poderia ser  construída ainda a linha Rebouças, que viesse da General Osório, em Ipanema, seguisse numa estação na Fonte da Saudade, cruzasse com uma possível estação Humaitá da linha 4, uma possível estação Laranjeiras também da linha 4, atravessasse o túnel, fosse para estação Rio Comprido, estação Estácio (linha 1 e 2), Leopoldina (estação do futuro trem bala) e terminasse na Rodoviária Novo Rio (por onde passaria a linha 5 que ligaria um aeroporto ao outro).

 

São inúmeros os projetos que seriam mais racionais e benéficos para o carioca. A Tijuca será diretamente afetada por várias obras que estão em curso. Estamos em um ano eleitoral, essa é a hora (talvez um pouco tarde já) de nos manifestar mos para que os melhores projetos sejam feitos. A linha 4 ainda está começando a ser construída, ainda temos tempo de que o traçado original seja respeitado e que o anel metroviário seja concluído (e transformado em prioridade). Essa sim, uma intervenção que pode dar um salto de qualidade de vida para os tijucanos e ao mesmo tempo centralizar ainda mais o nosso bairro na geografia carioca.

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